Sobrenatural – Parte V

Eu estava completamente atordoado, nunca imaginei que esse tipo de coisa poderia acontecer comigo. Aquelas criaturas, o sofrimento estampado no rosto daquele homem. Não conseguia entender o porque deu estar tendo essas visões, muito menos o que elas realmente significavam. Me acalmei, fui ao banheiro, lavei o rosto e voltei ao serviço. Apesar de não conseguir tirar aquela visão e aquela risada sombrias da minha mente, consegui levar o dia, afinal, eu encontraria a Paula no final do dia e vê-la é sempre uma visão muito agradável e com um adicional, ela consegue me tirar o foco dos problemas.
Acabado o meu turno, tratei de me trocar e sair. Combinei de encontrar com Paula em uma sorveteria próxima do hospital, dava pra ir andando. Quando me aproximei pude vê-la através do vidro transparente do lugar. Caramba! Que visão, vou tentar descrevê-la para vocês: cabelos castanhos claros de tamanho médio, lindos e profundos olhos verdes (tão profundos que às vezes parecem alcançar minha alma), um sorriso radiante e uma aparência jovial completam a obra. É de tirar o fôlego de qualquer um.
Quando ela me viu entrar fui contemplado com um sorriso maravilhoso, que me fez esquecer, momentaneamente, daquele pesadelo pelo qual estava passando. Sentei-me ao lado dela e dei um rápido beijo.
- Oi, amor, tudo bem? – Perguntei.
- Sim estou bem, e você?
Lembrei-me dos acontecimentos do dia e de forma evasiva, olhando para fora, respondi:
- Sim, querida, estou ótimo.
Mesmo sem olhá-la, pude perceber que ela me observava atentamente. É engraçado, ela sempre sabe quando estou mentindo.
- Tem certeza, amor, você está mesmo bem?
Desta vez eu a olhei nos olhos, suspirei profundamente, e falei:
- Vamos fazer nosso pedido. Eu quero um sunday e você?
- Uma banana split. – Ela continuava me olhando, nitidamente esperando por uma resposta, olhei para fora, me fazendo de desentendido, mas observando-a pelo canto dos olhos.
- Oras! Não adianta ficar me olhando com o canto dos olhos, estou esperando uma resposta. O que aconteceu? Você não me parece muito bem, está calado e evasivo, você não é assim.
Novamente a olhei e suspirei. Contei tudo o que tinha acontecido nas últimas horas.
- Não sei o que dizer. Esta é a história mais fantástica que eu já ouvi. Estou pasma e não sei mesmo o que dizer. – Ficamos em silêncio um tempo enquanto tomávamos nossos sorvetes. Por fim, ela quebrou o silêncio:
- Sabe, acho que você deveria falar com o Pastor André. Estou certa de que ele saberá o que dizer.
Apesar de esporadicamente ir à igreja, principalmente pela influência de Paula, nunca fui uma pessoa religiosa, mas os últimos acontecimentos me fizeram refletir um pouco mais em minha opinião.
- Acho que você tem razão, no culto de amanhã vou falar com ele. Mas, mudando de assunto, como foi seu dia?
Terminamos os sorvetes sem falar nesse assunto, paguei a conta e fomos embora. Ao sairmos do restaurante tive a nítida sensação de estar sendo observado. Parei por um instante e olhei ao redor. mas não vi nada.
Pegamos meu carro no estacionamento do hospital a deixei em sua casa e voltei pra minha. Estava exausto e precisava de um pouco de descanso.
Cheguei em casa e fui ao banheiro, me olhei no espelho e percebi que minha aparência não estava das melhores. Tomei um bom banho quente, daqueles que fazem do banheiro uma sauna, lembro-me que quando morava com meus pais e fazia isso ouvia um belo sermão. Coloquei um short e me deitei.
Estava tão cansado que apaguei imediatamente. Nem notei que não estava sozinho.

Leave a Reply