Sobrenatural – Parte Final

A criatura urrou de dor, com a lança atravessada em seu peito, e caiu no chão com um baque surdo. Empoleirado na janela como um pássaro estava um anjo segurando uma espada de fogo brilhante. Quando o viram os demônios que estavam próximos de mim partiram pra cima dele.
Era impressionante, e ao mesmo tempo difícil, ver aquela luta. O anjo se movia de forma extraordinariamente leve, era como se seus movimentos não representassem nenhum esforço. E uma após uma, as criaturas que se atreveram a enfrentá-lo caiam. Eu via asas voando, braços e cabeças caindo, urros de dor, até que simplesmente a luta cessou. Os demônios pararam e recuaram, como um piscar de olhos simplesmente sumiram, mas deixaram um odor forte no ambiente.
Olhei pela janela e pude ver o que os havia afugentado, um exército de anjos estavam ao redor da minha casa. Aquele que havia jogado sua lança aproximou-se da criatura que estava no chão, caído, removeu sua lança, pegou sua espada e cortou a cabeça do demônio. Enquanto isso, mais anjos entravam no quarto e pegavam o que havia sobrado dos outros participantes do conflito.
Ele se aproximou de mim, eu ainda permanecia estático, chocado com tudo o que havia acontecido, ele me pegou pelo braço e me colocou de pé. Minhas pernas fraquejaram mas ele me sustentou até que tive forças para sentar-me na cama. Ele e mais alguns outros me olhavam, pareciam que estavam me estudando. Eu olhei no espelho e vi que não usava mais a armadura nem o escudo de luz e antes que eu perguntasse o que estava acontecendo ele falou:
- Olá Jairo, está na hora de explicações. – sua voz era alta e forte, parecia ecoar pelo quarto e do quarto.
- Como você sabe meu nome? – Perguntei ainda assustado, e acho que ele percebeu isso.
- Não tenha medo! Aquele que tudo sabe me enviou para falar com você. Uma grande guerra se aproxima e você foi escolhido para lutar por este povo.
- Lutar? Eu? Como? Eu mal consegui me defender dessas criaturas que aqui estavam.
- Deus lhe deu um dom, use-o.
- Você está falando do escudo e da armadura? Eu nem sei como fiz aquilo.
- Deus lhe vestiu da couraça da justiça e do escudo da fé e designou um tutor para ensiná-lo a agir no momento oportuno.
- Mas eu nem sou uma pessoa religiosa, por que eu?
- Deus escolhe as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias, e escolhe as fracas para confundir as fortes, e escolhe os que não são para confundir e aniquilar os que são. Deus conhece o coração do homem e conhece o seu coração por isso ele lhe escolheu, a mim e a você não cabe julgar, cabe apenas aceitar.
Após dizer isso, ele me deu as costa e em meio a meu protesto partiu.
Olhei ao redor, e exceto pelo cheiro e por algumas marcas de batalha na parede e nos objetos, não parecia que nada daquilo havia acontecido. Sei que à partir de hoje minha vida será outra, mas o meu destino, bem, o meu destino a Deus pertence.

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